ChickenFly Inc. 2010

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(Crespim) Day One - 1996

Como em qualquer outro dia do ano, Crespim sai de sua casa para ir trabalhar, isto quando ele tinha apenas 10 anos.
Joaquim do Sapateiro passa em casa do Crespim, no seu carro de bois (conhecido por ser único carro de bois com as rodas totalmente redondas) pega no Crespim e leva-o para o Celeiro onde este iria ficar de guarda todo o dia para evitar que todo aquele gado que está próximo do Celeiro entrasse lá para dentro e destruísse tudo. Não, o Joaquim não tinha porta no celeiro porque já estava à espera desta à cerca de 3 anos.
Mas a nossa personagem gostava particularmente de ir para o Celeiro, porque assim usufruía da companhia da Rosalina, filha de Joaquim, que veio a ser o seu eterno amor.
Crespim, sentado num fardo de palha à entrada do Celeiro, começa a pensar num poema para dedicar à sua amada Rosalina, mas as palavras custavam-lhe a sair da boca.
Crespim um dia resolveu pôr a sua timidez de lado e, esperando pela chegada da sua amada para lhe servir o lanche, ia praticando o seu discurso com a ovelha Raimunda para quando chegasse a Rosalina do Joaquim.
Já com a lição bem estudada, eis a chegada de Rosalina com o lanche, que era constituído pela já habitual sandes de coirato e o seu sumo de batata fresquinho proveniente da horta do Zé Custódio. Crespim olha nos olhos de Rosalina e diz: "- Rosalina, tenho que te dizer isto, mas as palavras custam-me a sair." Neste compasso de espera, os olhos de Rosalina brilham, pois o sentimento é mútuo. Então Rosalina aguarda a tão aclamada proposta de Crespim já pronta a aceitar o que viria dali. Ela espera radiante, mas o compasso de espera torna-se longo, Crespim sua por todos os lados, não sabe como vai dizer o que tem para dizer a Rosalina. O clima torna-se sufocante, sente-se uma enorme tensão no ar! Mas após algum tempo, Crespim finalmente ganha coragem e prossegue com o resto da sua declaração: "-Rosalina, prefiro uma sandes de fiambre que as de coirato! O coirato faz-me alergia e não consigo dormir direito à noite!"
Como Rosalina não ouviu o que queria, lágrimas escorrem-lhe pelo rosto e esta desata a correr sem parar até Crespim a perder de vista no horizonte. Este foi o momento mais emocionante que ocorreu a Crespim neste ano.
A partir desse momento, Rosalina nunca mais conseguiu olhar nos olhos de Crespim. Crespim deixou de receber o seu lanche no Celeiro e este para saciar a sua fome teria que abandonar o Celeiro por breves instantes para trepar a árvore mais próxima para colher um fruto para assim "matar" a fome.
1996 ficou marcado então como o ano do primeiro amor de Crespim que, por ventura, este deitou tudo a perder criticando a famosa sandes de coirato da Rosalina.
(to be continued...)

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